100 Humanos e um método científico...

Em março deste ano a Netflix lançou uma nova série chamada "100 Humanos". Nos oito episódios da série acompanhamos 100 pessoas em experimentos quase científicos que buscam responder algumas perguntas comuns como:


Qual a melhor etapa da vida?

O que consideramos atraente em alguém?

Quem é melhor: homens ou mulheres?



Porque nos fazemos perguntas e como respondê-las


Se você já teve contato com alguma criança por volta dos seus 4 a 5 anos eu tenho certeza que você conhece o potencial humano de fazer perguntas. Perguntar, a si mesmo e ao outro, é a principal forma que temos de explorar o ambiente e o mundo a nossa volta. Ao longo da evolução da espécie humana foi extremamente importante nos fazermos perguntas do tipo "Será que essa fruta é comestível?", "De onde vem a chuva?" ou "Será que esse barulho é de um predador?". Mais importante ainda foi a capacidade de perguntar e aprender com a resposta dos outros, nos poupando de cometer os mesmos erros e permitindo a passagem do conhecimento.


Uma mesma pergunta, entretanto, pode ser respondida de diferentes formas. Hoje sabemos que a chuva cai quando há um acúmulo de água na atmosfera, e que essa água vem da evaporação de rios, mares e lagos. Mas ouve um período em que se perguntássemos porque chove teríamos uma resposta mais próxima de "porque Deus quer" ou "porque o deus da chuva está bravo". Ambas são respostas válidas que nos trazem informações diferentes, enquanto uma se debruça em princípios físicos do ciclo da água outra usa da fé para demonstrar a presença de seu Deus no mundo. O método científico é apenas uma forma de se responder perguntas.



Cientistas do dia a dia


Apesar de poder ser muito complexo, o método científico possui algumas etapas tão simples que acabamos usando no nosso dia a dia sem nem perceber. A primeira delas é a criação de uma hipótese. Imagine que você está chegando em casa quando encontra o vaso de planta da janela caído no chão da sala. Com uma olhada rápida envolta você descobre que havia esquecido a janela aberta. Logo uma hipótese surge na sua cabeça: o vento derrubou o vaso de planta. Talvez não tenha sido o vento, talvez tenha sido o gato do vizinho que passou pela janela. Uma boa hipótese é falseável, ou seja, pode ser provada falsa. Se eu disser que a plantinha estava com frio e por isso se jogou janela a dentro essa é uma hipótese que não pode ser testada e contestada, logo, não é falseável.


Depois de se ter uma hipótese é necessário testar a veracidade da mesma. Talvez deixando a janela fechada nos dias pares e aberta nos dias impares para observar quando que ela cai, ou quem sabe colocando uma tela para que o gato do vizinho não suba o parapeito. O empirismo, ou seja, colocar em prática aquilo que se pensou é extremamente importante no método científico. É através do teste e reteste, em contextos diversos, que somos capazes de afirmar com convicção que uma hipótese é, muito provavelmente, verdade. Apesar de jamais podermos ter certeza absoluta, uma explicação melhor sempre pode surgir, depois de muito esforço podemos utilizar aquela hipótese como premissa para outras hipóteses. Se o vaso de planta cai quando tem vento e a janela está aberta, provavelmente o enfeite de natal, que tem um peso bem parecido, vai cair também.


É através destas duas etapas que desfrutamos dois dos maiores benefícios do método científico: a previsibilidade e a reprodutibilidade. Previsibilidade é justamente o exemplo anterior do enfeite de natal. Se eu sei que "A+B=C" então sempre que eu quiser C eu posso somar A e B e ter certeza de que o resultado será sempre o mesmo. Reprodutibilidade por sua vez é a certeza de que "A+B=C" independente de eu estar aqui no Brasil ou na China. Ou seja, se eu empurrar o vaso de flor da janela eu posso prever que ele irá cair, e não sair voando, e que isso vai acontecer tanto com um vaso de flor Brasileiro quando um vaso de flor Chinês.


Claro que, quando os assuntos se tornam mais complexos, a aplicação do método científico se torna mais difícil. Em alguns momentos a série dá umas derrapadas, principalmente no terceiro episódio, mas de forma geral é interessante para nos fazer pensar em como buscamos responder as perguntas que fazemos a nós mesmos. Se você não sabe o que fazer no feriado, esta é um dica se série para assistir deitado no sofá se preparando para encarar a semana.



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