Coronavírus e Ansiedade

"Brasil tem 488 casos suspeitos de novo coronavírus."


"Coronavírus: lista de alerta é ampliada e inclui EUA e países europeus."


"Veja o que é #FATO e o que é #FAKE sobre o novo coronavírus."



Nas últimas semanas não passa um dia sem que vejamos uma notícia sobre o coronavírus. Algumas são mais alarmistas, outras mais moderadas, e o que vemos é um estado geral de ansiedade. Mas o que exatamente é ansiedade?


Na psicologia clínica definimos ansiedade como: emoção desagradável devido a antecipação de um risco real ou imaginário.


É importante enfatizar dois elementos presentes nessa definição: a antecipação e o papel do imaginário. A ansiedade ocorre sempre em um momento anterior a exposição ao elemento de risco. No Brasil a maioria de nós não foi exposta a um risco real de infecção pelo coronavírus. Existem suspeitas e provavelmente mais casos serão confirmados, mas este ainda não é um risco que estamos diretamente expostos. Porém a falta de informações concretas e a dificuldade de mensuração do risco real são fatores que alimentam o nosso imaginário. Quando falamos de ansiedade é fundamental ressaltar que o risco não necessariamente precisa ser real, ele pode ser apenas um risco percebido. Em alguns casos de transtorno de ansiedade as pessoas chegam a ter consciência de que o cenário motivador “não faz sentido" e tem pouca relação com a realidade mas, mesmo assim, não conseguem evitar sentir ansiedade. O importante aqui é a percepção de risco e não o risco real.


Notícias como as citadas anteriormente contribuem para essa percepção de risco e as lacunas de informação permitem que nossa imaginação crie um cenário altamente ameaçador e ansiogênico. Uma estratégia muito comum para lidar com a ansiedade é a busca por evidências. Quanto menores as lacunas menor o espaço que temos para fantasiar e criar cenários de risco onde não existe perigo real. Em situações como esta, onde dependemos da mídia para ter acesso a informações, é importante ter alguns cuidados como:


  • Buscar mais de uma fonte de informação.

  • Buscar instituições reconhecidas e confiáveis (correntes de whatsapp não contam).

  • Evitar extremos e ser ponderado.

  • Não presumir, mas trabalhar com fatos e informações concretas.


Estes e outros cuidados nos ajudarão a manter em cheque nossa ansiedade. Casos crônicos de ansiedade estão altamente relacionados a problemas cardíacos. Por isso é importante garantir momentos de relaxamento durante a nossa rotina. Exercício físico moderado, atividades ao ar livre e práticas como meditação são formas simples de manter nossa ansiedade na linha.


Sentir-se ansioso é natural e saudável. É a forma pela qual nosso corpo se prepara para enfrentar uma dificuldade. Mas em que momento se torna patológico? Nos transtornos de ansiedade temos um elemento sempre presente: prejuízo em outras áreas da vida. Ficar nervoso e ansioso quando pegar o ônibus para o trabalho sabendo que é um ambiente com alto risco de contaminação por parte de vírus da família da gripe, como é o caso do coronavírus, é normal e serve para nos preparar, seja usando álcool gel ou evitando passar as mãos nos olhos, nariz e boca. Porém se eu deixar de ir trabalhar ou então contrair dívidas pois estou indo de Uber para o trabalho, neste momento nós temos sinais de que nossa ansiedade pode estar passando do limite. Quando a ansiedade deixa de ser um motivo de prevenção e passa a ser um motivo de evitação ou de outros problemas, este é o momento que precisamos ficar mais atentos.


Ansiedade porém é algo contagiante, como o próprio coronavírus. Quando houve ameaças de furacão nos Estados Unidos muitas pessoas fizeram estoques de comida, água e outros itens básicos, deixando lojas e supermercados completamente vazios e, em alguns casos, danificados devido a histeria. Aqueles que não foram rápidos ficaram sem estes itens e um estado de terror e medo se instalou na população. Por sermos animais sociais estamos programados a reproduzir emoções que observamos naqueles a nossa volta, mesmo sem saber exatamente a causa delas. Essa capacidade de comunicação através das emoções foi, e ainda é, de fundamental importância para nossa capacidade de viver em sociedade. Porém em situações de crise ela pode acabar sendo uma faca de dois gumes.


Por isso, quando a ansiedade bater, busque se concentrar na sua respiração. Nosso ritmo cardíaco está intimamente relacionado a nossa respiração. Quando estamos ansiosos nossa respiração costuma ficar curta e rápida. Para fazer o caminho inverso busque respirar profundamente, de preferência usando o diafragma, e soltar o ar lentamente. É importante que a expiração seja mais lenta que a inspiração. Levantar os braços enquanto inspira e abaixar lentamente enquanto expira pode ajudar você a manter um ritmo mais saudável.


A ansiedade é como se fosse uma corda bamba: não pode ser demais nem pode ser de menos. O importante é aprender a manter um equilíbrio para que se possa viver uma vida longa e de qualidade.



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