O que sabemos sobre a psicologia do futuro?

Inspirado no evento sobre terapia online que participei no final de semana trago a vocês algumas sugestões de filmes que irão te fazer pensar em como as tecnologias, mesmo aquelas do nosso dia a dia, influenciam na nossa percepção de mundo, tomada de decisão entre outras funções diretamente ligadas a nossa psique.


No final de semana que passou, mais precisamente no dia 07, tive a oportunidade de participar do evento "Atendimento Online e Exercício da Psicologia: um diálogo necessário sobre novas resoluções" na Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul (SPRGS). Neste evento conversamos sobre o que se pensa sobre o atendimento online, seus riscos e benefícios, e sobre o posicionamento que o conselho de psicologia tem atualmente em relação ao assunto.


Não preciso dizer que o evento foi ótimo e que cheguei em casa pensando sobre o assunto. Mas sem mais enrolação, VAMOS PARA AS SUGESTÕES!

1. The circle (O círculo)


Neste filme a protagonista, interpretada por Emma Watson, trabalha em uma empresa de rede social. Em um projeto audacioso o CEO, diretor da empresa (interpretado por Tom Hanks), espalha câmeras por diversos locais do mundo. De início tudo é lindo e maravilhoso mas não preciso dizer que não continua assim até o final né?

O filme nos provoca a pensar se essa tecnologia de compartilhamento é algo bom ou ruim. Como diz o diretor da empresa: sharing is caring; compartilhar é cuidar, em português. Porém algo que discutimos no evento sobre terapia online é que a tecnologia por si só não é boa nem má. Para que exista bem e mal é necessário existir antes um julgamento e, principalmente, uma tomada de decisão! Algo que uma câmera ou uma rede social não é capaz de fazer. Fazendo uma analogia bem simples: a mesma faca pode tirar uma vida ou salvar uma vida dependendo se quem a utiliza é um médico ou um assassino.

No filme há momentos em que a mesma tecnologia de câmera que salva uma vida acaba também por tirar outra algumas cenas depois. O que nos leva a refletir: quais são as decisões que temos tomado com a tecnologia a nosso dispor? Que tipo de decisões podemos vir a tomar no futuro conforme novas tecnologias são criadas? Quem deixaremos responsável por essa tomada de decisão?


2. HER (Ela)


Neste filme somos apresentados a Theodore, interpretado por Joaquim Phoenix, e seu sistema operacional Samantha, interpretado por Scarlett Johansson. Provavelmente como brincadeira do diretor, logo no inicio o computador pergunta a Theodore se ele é uma pessoa mais social ou não, e como é seu relacionamento com sua mãe. Será que temos uma referência ao complexo de Édipo aqui? Hahaha.

Ao longo do filme percebemos como o vínculo entre estes dois personagens se fortalece e como ele substitui uma necessidade muito fundamental que temos: o convívio social. O filme mostra, de forma mais superficial, como outras pessoas também são capturadas por este fenômeno. Mas agora eu te pergunto: será esse vínculo verdadeiro? Se pensarmos a inteligencia artificial como um produto ela não seria programada para que ele gostasse dela? Como ela sabe o que ele quer dela?

Talvez depois de responder essas perguntas talvez você me diga que este não é um vínculo verdadeiro. Mas e se levarmos em consideração o sentimento dele? Você diria que a forma com que Theodore se sente é menos válida pois o alvo de seu afeto é um objeto? E se fosse um relacionamento, ou uma terapia, a distância? Seria um afeto menor porque se utiliza um meio artificial como intermediário? Agora talvez você me diga que o sentimento dele é tão valido quanto qualquer outro. A verdade é que não há um resposta simples.


3. Chappie (Chappie)


Chappie é um filme que nos leva um pouco mais para o futuro, indo além de câmeras e assistentes com a voz da Scarlett Johansson. Nesse filme acompanhamos Deon, interpretado por Dev Patel, e sua criação: um robô com consciência própria chamado Chappie, interpretado por Sharlto Copley.

Assim como uma criança recém nascida Chappie tem muito a aprender sobre si e sobre o mundo. Ao longo do filme nos deparamos com diversos momentos importantes de seu aprendizado. Alguns mais prazerosos, como quando aprende a pintar; e outros nem tanto, como... Bom, não vou estragar a surpresa.

Esse filme nos leva a pensar sobre as consequências de nossas criações, principalmente quando estamos falando de inteligência artificial. Apesar de não serem nem de perto tão desenvolvidas quanto no filme já vivemos cercados de programas inteligentes tomando decisões, como o caminho até o trabalho, ou nos ajudando a tomá-las, como as sugestões de videos no youtube. Mas e o que decidimos ensinar para estas inteligências? Que valores morais e éticos queremos que elas reproduzam?

Um debate atual que exemplifica muito bem este cenário é o dos carros autônomos. Em uma situação de risco, este carro deve priorizar a vida de seu passageiro em relação a das pessoas que estão na volta? Será que ele deve desviar da criança que atravessa a rua no sinal vermelho mesmo que, para isso, atropele a vovó que está na calçada esperando o sinal abrir? Qual das duas vidas vale mais? E se for um médico e um mendigo? Ou um atleta e uma mulher obesa?


Estas são as minhas três sugestões de filmes que tratam tanto de psicologia quanto de tecnologia. Se você não viu algum deles, ou está afim de rever, prepare a pipoca, chame uma boa companhia e aproveite este final de semana para colocar sua lista de filmes em dia!

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