Tecnologias de filme que mudariam a psicologia clínica

Quem de nós já desejou que algum aparelho ou tecnologia de filme fosse realidade? Um carro voador, um teletransporte ou, quem sabe, um sabre de luz? Provavelmente você já teve esse desejo, seja por razões pessoais, profissionais ou de lazer. Você inclusive pensou em todas as possibilidades de uso que ele teria e como iria facilitar a sua vida. Mas o que será que, se existisse, mudaria a psicologia clínica para sempre?


Essa é a minha lista pessoal das cinco tecnologias de filmes que mudariam a psicologia clínica!

Em quinto lugar está o neutralizador.


Esse pequeno aparelho, pouco maior que uma caneta, é capaz de emitir um flash de luz que permite apagar memórias. Ele aparece nos filmes da franquia “MIB - Homens de Preto” e é utilizado diversas vezes ao longo dos filmes. Diferente de outros processos para apagar memórias, como o utilizado no filme "brilho eterno de uma mente sem lembranças", ele é rápido e prático, permitindo que o serviço seja feito em apenas alguns instantes. Estas características possibilitam seu uso em situações de emergência, onde acredito que mostrariam maior benefício a humanidade.


Já pensou como o mundo seria se um aparelho desses existisse? Talvez nós tivéssemos profissionais treinados para auxiliar em situações traumáticas como incêndios e acidentes, conseguindo assim diminuir o dano e choque de um evento, prevenindo possíveis transtornos futuros. Uma equipe de psicólogos poderiam fazer esse serviço ou então capacitar profissionais para isso. Talvez esse fosse o fim do transtorno de estresse pós traumático!


Infelizmente o neuralizador não é capaz de apagar memórias que já foram consolidadas no que chamamos de memória de longo prazo, o que limita muito seu uso e o coloca na quinta posição da lista.

No quarto lugar temos uma tecnologia que aparece em diversos filmes: as realidades virtuais.


Realidade virtual é uma tecnologia que ficou muito famosa nos cinemas com o filme "Matrix". Antes disso apareceu no livro "Neuromancer" e se popularizou tanto que mesmo filmes que não seriam classificados como ficção científica exploram as possibilidades de sua existência. Entre eles os filmes da franquia “Jumanji” e outros como "Jogador número 1" e “Tron”.


O mais incrível é que, mesmo que não exatamente igual, realidade virtual é uma tecnologia que já está disponível e seu benefício à psicologia está sendo pesquisado. Uma das utilizações é no tratamento de fobias, inserindo-a no que chamamos de dessensibilização sistemática. Uma das melhores formas de se tratar o medo excessivo de algo é, de forma gradativa e controlada, se expôr ao objeto de terror. Mas nem sempre é possível fazer essa exposição de forma ideal. Usando o exemplo que me foi dado na faculdade: como uma pessoa que tem medo de avião pode se expôr gradualmente? Não adianta, uma hora será necessário entrar em um avião e ficar o vôo inteiro lá dentro, não dá pra “pedir pra sair”. Através de um equipamento de realidade virtual seria possível fazer esse vôo em pequenas frações de um, cinco, dez minutos, até que o paciente estivesse mais preparado para enfrentar um vôo de verdade.


Como já é algo presente na atualidade mas que ainda não apresenta todo o potencial retratado nos filmes ela fica com o nosso quarto lugar da lista.

Em terceiro lugar está a minha preferida: Baymax, do filme "Big Hero 6 - Os Novos Heróis".


Idealizado e construído pelo irmão mais velho do protagonista, Baymax é um robô cuidador/enfermeiro/acompanhante terapêutico. Seu corpo inflável oferece uma superfície fofa e agradável, sua capacidade de escanear o corpo humano e identificar, não apenas ferimentos, mas emoções faz dele o acompanhante terapêutico perfeito!


Todo psicólogo clínico sabe que grande parte do tratamento se faz fora do consultório. Mesmo em tratamentos mais intensos as sessões não costumam ocupar mais que duas ou três horas por semana, e muitas vezes nem é possível para um mesmo profissional acompanhar um paciente mais que isso. Então muitas das situações problema acabam sendo enfrentadas pelo paciente sozinho fora do consultório. É neste momento que Baymax entraria em ação. Trabalhando de forma complementar ao psicólogo, o robô poderia ajudar seu paciente a lembrar e aplicar estratégias e técnicas discutidas em consultório. E não só isso, poderia monitorar reações emocionais e fisiológicas oferecendo um relatório de informações detalhadas para o psicólogo responsável.


Tudo isso sem mencionar que ele é uma fofura! 😍😍😍

Em segundo lugar, mais uma tecnologia presente no filme "Matrix". Dessa vez estamos falando daquela agulha enorme que permite plugar o cérebro de uma pessoa com a rede, o Headjack.


É através desse plugue que os personagens do filme se conectam a Matrix. Porém aqui eu quero falar especificamente da transferência de informação. É através desse equipamento que Neo aprende a lutar Kung Fu, atirar com armas de fogo e que possibilitou a cena onde Trinity aprende a pilotar um helicóptero em um piscar de olhos, literalmente! Uma ferramenta dessas seria extremamente eficaz na capacitação e treinamento dos profissionais da psicologia assim como na dos próprios pacientes. Hoje em dia todo psicólogo trabalha com um certo grau do que chamamos de psicoeducação. Através dela o paciente adquire conhecimentos sobre a teoria utilizada na terapia, o que ajuda na percepção e modificação de aspectos problemáticos que causam seu sofrimento. Com o Headjack seria possível que o paciente tivesse acesso a diversas informações sobre a teoria e seria possível para o psicólogo conhecer diversos estudos de casos e teorias correntes, tudo com muita eficiência e agilidade.


Mas mesmo com todos esses benefícios o Headjack ainda fica em segundo lugar.

Em primeiro lugar, o astro da lista, a maleta que permite ter e compartilhar sonhos do filme "A Origem".


Essa tecnologia seria de um impacto tremendo na psicologia clínica. Vamos começar pelo mais óbvio: o nosso inconsciente. Não é a toa que ele tem esse nome. A verdade é que não temos acesso direto ao inconsciente, ele está lá, sempre funcionando atrás das cortinas do palco da nossa mente. Coisas saem e entram ali sem o nosso controle ou conhecimento. Mas pro Eu, que está preso sob o holofote da consciência, ele será sempre desconhecido. Imagine que você chega na sua sessão semanal com seu psicólogo, vocês se sentam em poltronas confortáveis, se conectam a maleta e vão para um sonho compartilhado. Onde vocês estariam? Quem iria aparecer por lá? O que iria acontecer? Eu mal consigo imaginar todas as possibilidades oferecidas por um acesso tão direto quanto esse à parte mais misteriosa e difícil de acessar da nossa mente. Teorias poderiam ser testadas, técnicas seriam desenvolvidas, testes como o famoso Rorschach poderiam se tornar obsoletos! Tudo isso sem falar que, como dito no filme, o tempo nos sonhos passa mais rápido. Então a uma hora de sessão seria equivalente a mais ou menos dez minutos da realidade...


Agora o que irá se tornar realidade? Só o tempo pode dizer.





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