Trabalho, contribuição e felicidade.

Toda nova geração precisa responder algumas perguntas ao longo de seu desenvolvimento. Uma delas é como estes novos integrantes da sociedade irão ingressar no mundo do trabalho. Se na época dos meus pais essa pergunta foi respondida com a popularização do funcionalismo público, agora a resposta se resume a uma única palavra: empreendedorismo.


Personalidades como Elon Musk e os titãs da computação, Bill Gates e Steve Jobs, são apenas alguns dos exemplos de empreendedores de sucesso. Apesar de comumente se referir a pequenos negócios, o empreendedorismo consiste em uma iniciativa de criar, ou reinventar, valor no mercado através de um produto ou serviço. Para o empreendedor o sucesso econômico e financeiro está diretamente relacionado não apenas a sua capacidade de transformar novas tecnologias em produtos como também em gerenciar e administrar entidades financeiras, sejam elas grandes ou pequenas. Em outras palavras: você é diretamente responsável pelo próprio sucesso.


Ser o seu próprio patrão e tomar as decisões em relação ao próprio futuro são elementos comuns nos sonhos de muitos jovens adultos. Como reflexo desse desejo observamos um crescimento enorme na quantidade de pequenos negócios criados diariamente. Não acredita em mim? Pois então eu te convido a pesquisar no aplicativo do IFood a quantidade de novos restaurantes e lancherias que surgiram próximos da sua casa só nesse período de pandemia. Tenho certeza que você vai encontrar nomes que não tinha visto antes.



O produto e sua contribuição para a sociedade.


Se no âmbito do trabalho o sucesso está nas nossas mãos o produto certamente está nas mãos da sociedade. Valores como praticidade, inovação, saúde, prazer, são apenas algumas das qualidades pelas quais um consumidor pode ser atraído. Lembra da época das "Paletas Mexicanas"? Diferente de um simples picolé elas eram uma alternativa inovadora e saborosa para se refrescar enquanto caminhávamos no ar condicionado do shopping.


Para o novo empreendedor, essa relação de oferta e demanda constitui o cerne do seu sucesso. Qual o valor agregado ao nosso produto/serviço? Qual o perfil do nosso consumidor? Como podemos nos diferenciar dos concorrentes? Estas são apenas algumas das perguntas mais recorrentes quando o assunto é empreendedorismo.


Diferente de gerações anteriores, onde o trabalho era uma função a ser desempenhada em busca de retorno financeiro, apenas ganhar dinheiro não é o suficiente para satisfazer quem está ingressando no mercado. É necessário também saber que seu esforço está contribuindo de alguma forma para a criação de um ideal de sociedade. Barrinhas de cereal não são apenas uma forma de matar a fome, são uma contribuição para o ideal da alimentação saudável em uma sociedade com crescentes níveis de obesidade. Ver um filme na televisão não é mais um mero momento de lazer, é também uma forma de reflexão sobre temas atuais. Em outras palavras: o trabalho tem ganhado cada vez mais valor como forma de gerar um impacto positivo na sociedade.


A grande maioria dos novos empreendedores vê na oferta de um produto ou serviço uma forma de expressar um pouco da sua visão de mundo e valores a serem promovidos. Dificilmente encontraremos uma nutricionista que trabalha mindfull eating e frequência alimentar com seus pacientes, mas faz apenas uma refeição no dia e come quase que exclusivamente fast food. Com a facilidade de acesso a informação veio também um aumento da necessidade humana de expressão. Não queremos apenas ouvir, queremos falar e participar do debate também! Só de imaginar alguém dizendo "eu não tenho uma opinião sobre o assunto" ficamos confusos, imagina então trabalhar em alvo que não está alinhado aos próprios valores? Ou pior ainda, que vai no caminho CONTRÁRIO!



Sobre baleias e sardinhas


No mercado dos jogos digitais existe uma prática de se referir a um determinado perfil de jogadores como Baleias. Esse termo se refere a como este jogador gera dinheiro para a empresa e movimenta a comunidade do jogo. Em resumo, Baleias são jogadores que gastam grandes quantidades de dinheiro e tempo no jogo, sendo a principal fonte de renda da empresa. Junto com as Baleias existem também o que vamos chamar de Sardinhas. Estes são jogadores que não investem muito dinheiro ou tempo no jogo, eles representam uma parcela muito menor do lucro da empresa apesar de serem a maior parte da comunidade de jogadores. Um bom jogo precisa ter das duas coisas: Baleias que gastem somas significativas e Sardinhas que deixem esse mar mais povoado e, no caso de um jogo, mais divertido.


Nos encaminhamos para um cenário muito similar a esse na economia. Enquanto as grandes empresas como Microsoft e Google e Apple giram milhões e milhões diariamente em suas transações. Pequenos empreendedores acompanham sua movimentação e fazem dinheiro nas pequenas transações do dia a dia. Quer um exemplo? Pense em aplicativos como o Zoom ou Google Meet, nesse período de pandemia essas opções de tecnologia vieram com força para suprir nossa necessidade de conversar com colegas, amigos e familiares. Podemos concordar que provavelmente eles estão lucrando uma boa quantia com isso, certo?


Por outro lado, a psicoterapia online também cresceu vertiginosamente. Tenho vários amigos recém formados que estão aproveitando esse período para atender via Zoom ou Google Meet e assim se lançar no mercado sem precisar arcar com as despesas de um consultório ou aluguel de uma sala. Certamente eles estão lucrando bem menos que o Zoom ou o Google, mas também estão lucrando e movimentando o mercado assim como as Sardinhas de um jogo digital.


Enquanto Baleias percorrem grandes distâncias e deslocam enormes quantidades de água com seu nado, Sardinhas se movem rapidamente em um balé coletivo onde a movimentação de um indivíduo está sempre alinhada com aqueles ao seu redor. Para um observador externo é difícil dizer quem vive uma vida melhor, a Baleia ou a Sardinha, vai depender dos valores de cada um.



Satisfação e felicidade


Todas essas mudanças nas relações de trabalho não se iniciaram agora. Se na hora de escolher sua futura profissão você se pegou pensando "o que eu gosto de fazer" e não "o que está dando dinheiro no momento" provavelmente você já fazia parte dessa mudança e nem sabia.


Para mim, futuro psicólogo que resolveu trocar de rumo após dois anos de curso técnico e aproximadamente três anos de biologia, minha maior satisfação não está no retorno financeiro. O que mais me motiva a continuar nessa caminhada é a ideia de que, através do meu trabalho, sou capaz de contribuir para a qualidade de vida e saúde mental de pessoas queridas com que convivo. Se pensar com cuidado eu tenho certeza que você conhece pelo ao menos uma pessoa que resolveu mudar de carreira pois "não se sentia realizada" no antigo emprego ou faculdade.


Diferente dos animais que simplesmente sobrevivem, nós precisamos de um significado maior para nos sentirmos vivos e satisfeitos. Precisamos de um motivo para levantar da cama, sair de casa e ir trabalhar todo dia. Em uma sociedade onde há uma super oferta de prazeres, fazer uma boa refeição e descansar igual um cachorro de família no final de semana não são mais o suficiente para serem classificados como motivos de vida. O empreendedorismo veio como forma de renovar nossa relação com o trabalho para que esta seja mais uma das diversas fontes de motivação e atribuição de significado a nossas vidas.




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